Vivendo um dia de cada vez . . . Porque o futuro a Deus pertence.







sexta-feira, 9 de julho de 2010

Acorda . . . dorminhoco . . .

Durante a semana o Afonso gosta de ficar na cama, acordar devagarinho e quase todos os dias eu tenho que o acordar, mas quê . . . ele volta e meter-se entre os lençóis, espreguiça para um lado, depois para o outro . . . abraça o seu doodoo e fica na morrinhice com o pai enquanto toma o leitinho na cama. Levantam-se sempre no último minuto e toca a correr para não chegarmos atrasados. Mal consigo que se levante vai direitinho à casa de banho . . . pois a fralda de manha está seca, mas a bexiga está bem cheia . . .toca a esvaziar, lava a cara e os dentes, visto-o e corre abraçado ao doodoo (. . .ah pois o boneco vai com ele a todo o lado . . . ) até à porta pronto para sair . . .
Mais um dia filhote . . . logo ao fim da tarde já estaremos juntos de novo, diverte-te.

Autismo . . .

A palavra em si assusta muita gente, também me assustou a mim devido à minha ignorância. Procurei toda a informação que pude ler, na internet principalmente . . . encontrei muita coisa muito má . . . encontrei muita coisa menos má . . . uma coisa é certa, cada caso é um caso.
Eu gosto de definir o autismo como uma forma de ser e de estar diferente. Claro que existem casos graves associados a outros problemas, no caso do meu filho felizmente não é assim, é bem mais ligeiro.
O meu pequenino embora tagarele imenso, não fala propriamente . . . pois que se percebam vai dizendo umas palavrinhas, o que nos deixa muito felizes pois tudo indica que a aquisição da fala é uma questão de tempo. Como já falei anteriormente os principais aspectos (isolamento, não responder pelo nome, não olhar, não interagir . . . ) todos eles tem vindo a ser superados, no entanto o Afonso tem uma forma de ser muito dele, mas acima de tudo adoro o carinho e a meiguice dele.
Existe um texto que eu gosto imenso de "Scheilla Abbud Vieira" , este texto faz-nos pensar, principalmente nos nossos preconceitos . . .


"Autistando


Somos todos autistas, a gradação está nos rótulos

Quando me recuso a ter um autista em minha classe, em minha escola, alegando não estar preparado para isso, estou sendo resistente à mudança de rotina.

Quando digo a meu aluno que responda a minha pergunta como quero e no tempo que determino, estou sendo agressivo.

Quando espero que outra pessoa de minha equipe de trabalho faça uma tarefa que pode ser feita por mim, estou a usando como ferramenta.

Quando, numa conversa, me desligo, "viajo", estou olhando em foco desviante, estou tendo audição seletiva.

Quando preciso desenvolver qualquer atividade da qual não sei exatamente o que esperam ou como fazer, posso me mostrar inquieto, ansioso e até hiperativo.

Quando fico sacudindo meu pé, enrolando meu cabelo com o dedo, mordendo a caneta ou coisa parecida, estou tendo movimentos estereotipados.

Quando me recuso a participar de eventos, a dividir minhas experiências, a compartilhar conhecimentos, estou tendo atitudes isoladas e distantes.

Quando nos momentos de raiva e frustração, soco o travesseiro, jogo objetos na parede ou quebro meus bibelôs, estou sendo agressivo e destrutivo.

Quando atravesso a rua fora da faixa de pedestres, me excedo em comidas e bebidas, corro atrás de ladrões, estou demonstrando não ter medo de perigos reais.

Quando evito abraçar conhecidos, apertar a mão de desconhecidos, acariciar pessoas queridas, estou tendo comportamento indiferente.

Quando dirijo com os vidros fechados e canto alto, exibo meus tiques nervosos, rio ao ver alguém cair, estou tendo risos e movimentos não apropriados.

Somos todos autistas. Uns mais, outros menos. O que difere é que em uns (os não rotulados), sobram malícia, jogo de cintura, hipocrisias e em outros (os rotulados) sobram autenticidade, ingenuidade e vontade de permanecer assim.



Fonte: Rede Saci

Autora: Scheilla Abbud Vieira"

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Companheiro . . .

A relação do Afonso com o pai é excelente . . . companheirismo seria a palavra certa.
Brincam juntos, passeiam, divertem-se e ele não dispensa a companhia do pai . . . quando o pai está em casa tem que estar com ele, ou ao alcance da sua vista. Engraçado que distingue tão bem quando o pai vai trabalhar . . . ah pois é . . . e pelo som do motor do carro . . . se ouve o carro de trabalho do pai, vai vê-lo sair e acena-lhe . . . agora, se ouve o pai sair no nosso carro . . . uiiiii . . .  sai a correr atrás, faz birra, berra, chora . . . vem ter comigo muito zangado e quando o pai chega, com o palavreado dele e pelo tom de voz percebe-se que reclama com o pai por ter saído sem ele . . . não o larga mais durante todo o dia  . . .
Tentem tirá-lo do colo do pai . . . pois . . . é melhor nem tentar . . . abraça o pai e "reclama"(no palavreado dele) empurra quem chegar perto . . . ok . . . só eu é que o tiro do colinho do pai . . . se for para lhe dar colo e miminho . . .

"Qué Có Vô"

Esta foi a primeira frase que o Afonso falou . . . já foi há algum tempo e infelizmente não a repetiu, mas saiu-se com um " Vô, xau"
Pois, os avós tem sido imprescindíveis, são eles que nos dão apoio, carinho, o ombro quando preciso chorar e desabafar . . . Obrigado! por estarem sempre ao nosso lado.
A relação com a avó (minha mãe) é muito boa, mas com o avô (meu pai) tem um quê de especial . . .
É o avô quem o acompanha a todas as terapias, seria muito difícil conciliar o trabalho e os horários dele, mas o avô qual parceiro inseparável acompanha-o sempre e ele adora ter o avô por perto, o certo é que já chamou mais vezes pelo "Vô" que pela mãe e pelo pai . . . e eu fico feliz por todas as palavrinhas que ele diz.
Ainda há poucos dias saiu-se com um "uau" e utilizou-o no contexto . . . também já se saiu com um "porra" de chateado . . . engraçado que todo o palavreado que usa e do qual poucas palavras se percebem, as que se percebem são sempre utilizadas no contexto.
A aquisição de novas palavras vai acontecendo lentamente . . . mas no meu coração eu sinto, e tenho esperança que mais dia menos dia ele vai falar . . .

Força Filho . . . tu consegues!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Anjo

O Afonso é um Anjo nas nossas vidas . . .

Com ele aprendemos uma outra dimensão de AMOR, um amor puro e sincero, amor de pais pelos filhos.
Aprendemos muito e aprendemos todos os dias. Por muito cansados que cheguemos a casa chegamos alegres porque o nosso Anjo está ali . . . esperou todo o dia para estar connosco, precisa do nosso amor e carinho . . . do nosso abraço . . . do nosso tempo, e eu esperei todo o dia para poder estar com ele.
Apendemos a dar valor a coisas muito pequeninas . . . um olhar . . . uma palavrinha . . . uma expressão de agrado ou mesmo desagrado que seja, é sempre uma expressão do que ele sente. . . a importância de um abraço.
Ter um filho autista, ensina-nos a dar valor a estas coisas muito simples, ensina-nos principalmente a lutar com muito mais força e vontade por ele . . . o Anjo que desceu do Céu e veio partilhar a nossa vida.

As mudanças . . .

Fazendo a comparação:



À um ano atrás:


Não falava;
Evitava o contacto ocular;
Não sorria;
Não respondia pelo nome.



Hoje:

Olha e fixa o olhar nos nossos olhos;
Ainda não fala, diz algumas palavras mas só quando quer e quase sempre obrigado;
Sorri e tem um sorriso maravilhoso, as gargalhadas também;
Já olha quando o chamamos.

O Afonso é um menino encantador, meigo e muito querido, adora receber muitos beijinhos e não os retribui, adora abraços e mimos e esses ele retribui, adora receber carinho e é muito carinhoso.
A Luta . . . é agora na aquisição da fala . . . com tempo vamos conseguir meu amorzinho.

As Terapias

Começou com terapia de psico-motricidade e logo de seguida a terapia da fala, para mim a diferença foi notória. O Afonso já olhava fugazmente para a nossa cara.
Algum tempo depois a terapia de psico-motricidade foi substituida pela ocupacional.
Comecei uma busca intensiva sobre todas as terapias e métodos que poderiam ajudar o Afonso.
A Educadora do Afonso é fundamental em todo este processo, ela presta muita atenção e trabalha imenso com ele e ele adora-a. A auxiliar da sala também é imprescindivel, ela sabe bem tratar dele e acalma-lo aquando das suas birras.
No inicio deste ano em Janeiro foi destacada uma Educadora de Ensino Especial da Equipa de Intervenção Precoce para acompanhar o Afonso uma manhã por semana na creche que ele frequenta.
Começa também a Hipoterapia, o primeiro contacto com os cavalos foi espectacular . . . adorou e pronto . . . faz hipoterapia todo contente.
Algum tempo depois começa também a Hidroterapia, foi mais dificil não queria entrar na água, ele adora a banheira e o chuveiro, mas piscina . . .não.
Felizmente há duas semanas atrás esse medo pela piscina foi ultrapassado e tem corrido muito bem.
Em casa, brincamos, pintamos, fazemos bolos . . . e muitas outras coisas giras . . . e divertimo-nos imenso.